O PRESTIDIGITADOR CHRIS NOLAN

 

Quando faltavam 40 minutos para o filme acabar, eu saquei dois dos segredos da trama de O GRANDE TRUQUE.

 

Ao contrário do que vocês podem imaginar isto não teve a mínima importância em minha percepção, já que a forma intrincada como estas revelações são apresentadas é definitivamente a grande sacada do projeto.

 

Com um roteiro excepcionalmente escrito a quatro mãos, o diretor Christopher Nolan e seu irmão Jonathan Nolan criaram uma das experiências cinematográficas mais gratas do ano.

 

A história dos aspirantes a ilusionistas que após um trágico acidente se separam e se tornam ferozes rivais no mundo da magia é pano de fundo para um jogo psicológico dos mais intensos. Em que obsessão, vingança e multiplicidade se confrontam aos olhos vidrados dos expectadores. Curioso perceber como Nolan se encanta por estes temas, já vistos em Amnésia, Insônia e Batman Begins.

 

Utilizando toda habilidade que demonstrara em seu primeiro trabalho comercial – o supracitado Amnésia –, Chris Nolan monta seu filme viajando cronologicamente de forma a amarrar a narrativa com intensidade e surpreendente coerência, entregando os detalhes suavemente. E mesmo nos momentos em que se deduz algumas soluções, a forma como são apresentadas faz parecerem inéditas à nossa mente.

 

Vindo da produção do homem morcego, Nolan trouxe consigo boa parte da equipe técnica, assim como os atores Christian Bale, o Bruce Wayne em pessoa e Michael Caine, seu mordomo.

 

Na companhia de Hugh Jackman e Scarlett Johansson, o quarteto apresenta um grande trabalho, desenvolvendo os personagens – muito bem delineados pelo roteiro – com credibilidade fascinante.

 

O cenário londrino do século XVII e a inclusão de alguns personagens reais da história, como o cientista Nicolas Tesla – muito interessante na pele de David Bowie – tornam o filme ainda mais convincente e situado, intensificando o drama dos personagens.

 

The Prestige, título original que faz referência à prestidigitação – habilidade de iludir a platéia com rápidos movimentos – estreou em São Paulo em apenas duas salas. Mas deve ter uma exibição mais ampla em breve. Fiquem atentos! ;)

 

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes!

MOSTRA BR - BABEL

 

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2006.

 

Último dia da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 

Primeiro dia da feira de livros e quadrinhos da COMIX BOOK SHOP no colégio Marista Arquidiocesano.

 

Eu, Regis, Ale (ssandro Giacomelli), Junior e sua namorada fomos pela manhã à feira. Muito legal, muita coisa e bons preços. Cobertura da Globo e da Rede TV – quase fui entrevistado pelo Marcio Canuto.

 

Por volta das 12h30, pegamos o metrô e fomos direto para a Paulista. Eu e o Regis precisávamos chegar rapidamente ao Conjunto Nacional para comprar os ingressos de BABEL, mais novo projeto dirigido por Alejandro González Iñárritu e escrito por Guillermo Arriaga.

 

Chegamos com duas horas trinta e cinco minutos de antecedência, mas não foi suficiente. ESGOTADO. Essa foi a sentença que encontramos estampada em frente ao cartaz do filme logo na entrada do Cine Bombril.

 

O que me tranqüiliza é que embora tenha uma roupagem independente, esta dupla desenvolve filmes em grandes estúdios e tem Brad Pitt no filme, portanto, em certamente poderei conferir o longa num cinema qualquer da cidade.

 

Para passar o tempo, reencontramos a trinca de amigos e fomos à FNAC! ;)

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes!

 

MOSTRA BR - A SCANNER DARKLY

 

Talvez esta seja uma das mais fiéis adaptações de um livro de Philip K. Dick (também autor de Blade Runner, Vingador do Futuro e Minority Report entre outros).

 

Ao contrário das adaptações anteriores, em que ocorre a mescla de trama cerebral com cenas de ação vertiginosas, A SCANNER DARKLY possui a cadência de um livro.

 

A história é desenvolvida com paciência; os personagens apresentados de forma cautelosa e detalhada.

 

O que à primeira vista pode parecer entediante, torna-se um experiência fascinante.

 

Poucos anos no futuro, o narcotráfico está mais ativo e perigoso que nunca, com o advento de uma nova droga chamada “D”. Para enfrentar esta realidade, um agente trabalha infiltrado entre alguns usuários e fornecedores.

 

É esta a principal linha narrativa do novo trabalho de Richard Linklater, que criou este projeto utilizando uma incrível técnica de animação, que une CGI1 e pintura sobre o fotograma.

 

Na verdade, não conheço muitos detalhes sobre este processo – mantido sob sigilo pelo diretor – mas que brevemente pretendo desvendar com uma possível edição especial em DVD. ;)

 

Quem conhece o trabalho de Philip K. Dick, sabe que ele escreve sobre tempos inóspitos e sociedades degradadas. E é desta forma que Linklater conduz sua narrativa.

 

Há uma aura de melancolia no ar. Praticamente todos em cena possuem algum tipo de desordem psicológica, muitas vezes acompanhada de curiosas alucinações. Estes momentos casam perfeitamente com o visual lisérgico do filme.

 

A Scanner Darkly é um filme que fala por si. Vou concluir por aqui minha análise para que cada um de vocês possam ter suas próprias interpretações e conclusões sobre o longa, que dá material suficiente para isso.

 

Vale dizer que fui assistir ao filme com minha namorada Lais e ficamos um bom tempo, após a projeção, discutindo os detalhes do filme.

 

Agora que a Mostra BR acabou, é torcer para que este projeto chegue o mais breve possível em circuito.

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes!

 

1. CGI – Computer Generated Image (Imagem Gerada por Computador)

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felipe MACHADO
BRASIL, Sudeste, SANTO ANDRE, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Bebidas e vinhos
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