CAMADAS DE TALENTO

 

“Um irlandês chega em casa e pega seu filho cheirando cocaína. Ele agarra o braço do garoto e diz: - SE TE PEGAR FAZENDO ISSO NOVAMENTE, ESFREGO SEU NARIZ NO PÓ!”

 

É neste tipo de humor cínico que a nova cinematografia inglesa é galgada.

 

Talvez o nome mais lembrado desta safra seja o do cineasta Guy Ritchie, que dirigiu dois excepcionais filmes sobre o universo do crime misturando muita violência, humor negro e roteiro pra lá de complexo.

 

São eles: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes de 1998 e Snatch de 2000.

 

Mas se vocês repararem bem nos créditos iniciais, verão um nome em comum na lista dos produtores.

 

E é exatamente sobre este sujeito chamado MATTHEW VAUGHN que pretendo falar neste texto.

 

Acabei de assistir a um filme chamado Nem Tudo é o Que Parece. Com roteiro escrito por J. J. Connolly baseado em seu próprio livro.

 

Conta a história de um cara – nunca sabemos seu nome – que trabalha como distribuidor de um grande traficando de drogas. Num certo período de sua carreira, decide que é hora de se aposentar. Para sua surpresa, seu patrão o nomeia para mais dois trabalhos, que vão lhe trazer muitos problemas e descobertas arrasadoras.

 

O título original do longa, LAYER CAKE, explica perfeitamente as diversas camadas de segredos ocultos neste universo perigoso e fascinante.

 

E voltando a falar em Vaughn, é dele grande parte da genialidade desta produção.

 

Em seu primeiro filme como diretor, este californiano – acreditem!! – não deixa nada a dever ao seu camarada inglês e nos brinda com cenas de grande primor visual; movimentos de câmera e passagens de cena deliciosamente coreografadas.

 

Além de arrancar dos atores o máximo de suas capacidades, gerando uma sensação de naturalidade extrema, tornando a experiência ainda mais realista.

 

Repleto de momentos antológicos e com um desfecho surpreendente, Layer Cake é um filme que merece lugar de destaque na lista de qualquer amante da sétima arte!

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes.

UM HOMEM COM MUITOS SEGREDOS

 

Nascido em 06 de Maio de 1961 em Lexington / Kentucky, o americano George Clooney começou sua carreira no final da década de 70, fazendo pequenas participações em séries de TV sem muita expressão.

 

Foi somente em 1994, que conseguiu um dos papeis principais na série ER, interpretando o médico pediatra e conquistador de mulheres Dr. Doug Ross.

 

Sua passagem da TV para o Cinema ocorreu de forma rápida e bem sucedido; mas teve alguns tropeços no início desta caminhada.

 

Em 1997 topou interpretar o homem morcego na alegórica e mal recebida produção Batman e Robin. Filme que quase acabou com a carreira do personagem no Cinema (sendo retomada de forma esplendorosa recentemente em Batman Begins com Christian Bale vestindo o manto negro).

 

No mesmo ano, fez o filme de estréia de um dos maiores estúdio de cinema da atualidade: O Pacificador da Dreamworks.

 

A partir de então, uma série de outras produções passaram a contar com seu nome nos créditos. Citando algumas: Irresistível Paixão (1998), Três Reis (1999), Mar em Fúria (2000), Onze Homens e Um Segredo (2001) entre outros.

 

Neste mesmo período, ele conheceu Charlie Kaufman, talvez o mais talentoso roteirista em atividade. Ele acabara de escrever um interessante roteiro que contava a trajetória de Chuck Barris, famoso apresentador americano que dividia sua vida entre o mundo das celebridades e o das espionagens, agindo secretamente para a CIA. Clooney viu neste texto a possibilidade de fazer Cinema de uma outra forma.

 

Em 2002, portanto, estreou Confissões de Uma Mente Perigosa, a primeira incursão de George Clooney como diretor.

 

E não poderia ter sido melhor. O público aprovou e a crítica o cobriu de elogios.

 

Após isso, voltou a protagonizar outros filmes e criou a produtora Section Eight, ao lado do também cineasta e amigo Steven Soderbergh.

 

2005 foi um ano especial para ele. Demonstrou ter evoluído muito como ator, levando um Oscar e outros prêmios por sua interpretação coadjuvante em Syriana, excelente filme de Stephen Gaghan.

 

E ainda entregou seu segundo filme como diretor, ocupando ainda a função de co-roteirista: Boa Noite e Boa Sorte, produção multi-premiada cuja análise está disponível para vocês no texto anterior.

 

Clooney conseguiu o que diversos artistas Holliwoodianos tentam em vão por muitos anos. Migrar de forma satisfatória da TV para o Cinema e ir além. Alcançando patamares somente atingidos por grande e renomados Cineastas.

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes.

Boa Noite e Boa Sorte.

 

Uma de minhas mais sentidas perdas na última Mostra BR de Cinema foi o ousado Boa Noite e Boa Sorte, produção co-escrita e dirigida por George Clooney, que felizmente tive a oportunidade de assistir agora, em DVD.

 

Para ser justo com esta obra, preciso iniciar meu texto ressaltando sua principal qualidade. A belíssima fotografia em preto e branco.

 

Acostumado a trabalhar com cineastas exigentes, Robert Elswit desenvolve um trabalho sensacional na direção fotográfica de Boa Noite e Boa Sorte.

 

Não há tomadas externas, todas as cenas foram feitas em estúdio, o que lhe possibilitou um controle rigoroso de iluminação, criando um fantástico contraponto de luzes e sombras.

 

Os enquadramentos também são graciosos e elegantes, uma clara referência aos anos 50 e a era de ouro do Cinema Americano.

 

E é exatamente entre 1952 e 1953 que a história se desenvolve. Durante o conturbado período de “Caça às Bruxas” empenhado pelo Senador Joseph McCarthy.

 

O inteligente roteiro escrito por Grant Heslov e George Clooney apresenta as ações do jornalista e âncora Edward R. Murrow em sua série de programas no canal CBS dedicados à desmascarar as ações falhas anti-comunistas de McCarthy e os conflitos de interesse que nascem a partir desta decisão.

 

Contando com um grupo de interessantes personagens, interpretados por excelentes atores como Robert Downey Jr, Patrícia Clarkson, Jeff Daniels, Frank Langella, o próprio George Clooney e protagonizado pelo excepcional David Strathairn, Clooney atinge seu objetivo em criar uma experiência forte, densa e marcante em apenas 90 minutos de projeção.

 

Um trabalho minucioso que merece ser assistido muitas vezes.

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes.

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felipe MACHADO
BRASIL, Sudeste, SANTO ANDRE, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Bebidas e vinhos
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