A FONTE de criatividade

 

Desde que DARREN ARONOFSKY anunciou um ambicioso projeto chamado The Fountain, eu comecei a acompanhar as novidades em diversos sites.

 

Mas antes de falar sobre isso, acho prudente dizer quem diabos é esse tal de Aronofsky.

 

Claro que muitos dos que lêem esse blog conhecem o seu trabalho, mas ele não é um cara tão famoso assim... pelo menos por enquanto.

 

Em 2000 foi lançado um filme absurdamente bom e igualmente tenebroso. O curioso título já dá indício do que esperar: Réquiem para um Sonho.

 

O drama aborda de forma cruel a involução de três jovens e uma senhora que se envolvem com drogas, cada um a sua maneira.

 

A direção apurada e o talento estético deste diretor me fizeram ir atrás de sua história. Foi então que eu descobri PI, feito artesanalmente 2 anos antes. A fotografia em um imundo preto e branco e a história de um paranóico professor de Matemática que busca a chave para o segredo do universo na manifestação natural do cotidiano é de uma complexidade espantosa.

 

Sabendo disso, voltamos a The Fountain. A expectativa é enorme e será sanada em 2006.

 

Brad Pitt seria o protagonista da eloqüente história que se passará durante 1000 anos. Contará três relacionamentos em paralelo e abordará temas como amor, morte, espiritualidade, existência e uma espécie de fonte da juventude.

 

Quando o astro desistiu do filme (para se dedicar a Tróia), o projeto foi engavetado pelo estúdio por considerá-lo arriscado. Não seria um filme com apelo comercial... mas custaria tanto quanto um.

 

No início do ano, Darren conseguiu Hugh Jackman (também conhecido por Wolverine) para o papel principal e então o projeto recebeu sinal verde.

 

Esta semana eu assisti ao primeiro trailer. Garanto. Se o filme for metade do que mostra o vídeo... será GENIAL!!! E eu não vejo a hora de confirmar isso.   ;)

 

Cenas de THE FOUNTAIN

 

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes.

SESSÃO DUPLA - PARTE 2

 

David Cronemberg fez pequenas pérolas do horror nos anos 80. Vídeodrome, Dead Zone e A Mosca são alguns de seus trabalhos.

Com a idade vieram filmes mais maduros, conceituais. Então temos a curiosa ficção científica eXistenZ, o ótimo drama psicológico Spider e agora este thriller MARCAS DA VIOLÊNCIA, o segundo que assisti na noite de ontem.

 

Este filme conta a história de um homem pacato que vive há 20 anos em uma cidade ainda mais tranqüila.

 

Tom Stall - Viggo Mortensen - é dono de um restaurante. Certa noite acaba por matar dois forasteiros que invadem o local e ameaçam ferir a todos.

 

Como conseqüência se torna um herói local e aparece em todos os jornais do país.

 

É então que chega à cidade Carl Fogarty – interpretado brilhantemente por Ed Harris – que diz conhecê-lo de outros tempos e o chamando por outro nome: Joey.

 

Neste momento a história sofre uma reviravolta, toda a vida de Tom desmorona, juntamente com a crença de sua família. Ele realmente tem um segredo? Ou tudo não passa de um mal-entendido?

 

A inspiração do roteiro de Josh Olson foi a Graphic Novel* de John Wagner e Vince Locke – acredito que inédita no Brasil.

 

Gerando diversos questionamentos absurdamente relevantes a qualquer pessoa, David Cronemberg faz muito mais do que um simples filme sobre vingança. Cria diversas camadas de complexas reações humanas e discute fatores que podem levar uma pessoa a cometer atos inimagináveis.

 

Um paradoxo interessante é apresentado entre Tom e seu filho Jack. Não pretendo revelar detalhes, mas as atitudes do garoto em determinado momento dão suporte suficiente para questionarmos as nossas próprias conclusões sobre Tom e rever certos conceitos estabelecidos de sua conduta passada.

 

Spider era o filme que mais gostava deste diretor Canadense. Com certeza ele não figura mais sozinho nesta posição.

 

MARCAS DA VIOLÊNCIA ocupa lugar cativo em minha preferência.  ;)

   

 

Abraços a todos... e ótimos filmes.

 

   

*Graphic Novel, para quem não sabe, é uma HQ com história e arte mais complexas. Normalmente com mais de 150 páginas, estes trabalhos foram responsáveis por alçar as histórias em quadrinhos a um âmbito mais adulto e respeitável – participando inclusive de premiações em festivais antes restrito à literatura. Neil Gaiman, Alan Moore, Dave Gibbons, Frank Miller e Frèdèric Boilet são alguns nomes de destaque neste Universo.

SESSÃO DUPLA - PARTE 1

 

Ontem à noite assisti a dois ótimos filmes. De vez em quando eu faço isso: Pego sessões duplas de cinema.

 

Primeiro foi o nacional CINEMA, ASPIRINAS® E URUBUS. Este belíssimo filme foi dirigido por Marcelo Gomes com tamanha segurança quem nem percebemos que se trata de seu primeiro trabalho.

 

Estamos em Agosto de 1942. Um alemão, funcionário da Cia Aspirinas®, viaja por todos os cantos do Brasil vendendo a “milagrosa invenção da medicina”. A história começa com ele no sertão de Pernambuco. A cada vilarejo que passa, exibe filmes publicitários em um telão improvisado no meio da praça, que mostram toda a eficávia do medicamento.

 

É difícil definir o que encanta mais a população. Se o tal remédio ou o Cinema.

 

Nesta trajetória ele dá carona a um homem da região, Ranulpho, que odeia morar neste lugar e sonha em ir para o Rio de Janeiro “tentar vida nova”.

 

É fantástico o contraponto cultural que o roteiro – do próprio Gomes e de seus dois amigos Paulo Caldas e Karim Ainouz – cria na convivência de pessoas tão distintas. Enquanto o estrangeiro vê em toda aquela pobreza e aridez um retrato interessante do ser humano. Ranulpho não vê a hora de sair de lá, reclamando inclusive que nem a Guerra chega em sua região – lembrando que a 2ª Grande Guerra estava em curso na Europa.

 

Mauro Pinheiro Jr também é responsável por boa parte do sucesso desse projeto. Seu trabalho na fotografia do filme foi fundamental para que cumprisse com a missão de nos inserir na realidade seca e quente em que os protagonistas estão, mesclando superexposição de luz e dessaturação das cores em determinados momentos.

 

CINEMA, ASPIRINAS® E URUBUS é um filme intimista e ao mesmo tempo abrangente. Consegue através de poucas palavras e belos simbolismos passar sua mensagem de forma bastante contundente.

continua...

PAPO DE CINEMA

 

Uma semana atrás, portanto em 07 de Novembro, eu e meu amigo Tiago Galan fomos ao cinema assistir JOGO SUBTERRÂNEO, dirigido por Roberto Gervitz e protagonizado por Felipe Camargo e Maria Luisa Mendonça.

 

Alguns de vocês podem estar se perguntando... 'como isso é possível? Este filme já saiu em DVD'.

 

Isso é verdade. Mas tratou-se de um dia dedicado ao Cinema Nacional promovido pelo Cinemark*.

 

O filme é bem interessante. Conta a história de um músico solitário que cria um jogo – em certos momento doentio – que consiste em criar uma trajetória no metro, pegar o trem e escolher uma mulher. Se ela, ao acaso, fizer o roteiro imaginado, significa que é a mulher de sua vida. Nunca deu certo. Até que a coisa muda.

 

Mas o objetivo deste texto não é falar sobre o filme propriamente dito, mas sobre o que aconteceu após ele. E que ocorre com freqüência comigo.

 

Eu adoro discutir o que vi com alguém após a projeção - o título deste blog entrega isso. Coloco as peças em seu devido lugar. Monto o quebra-cabeça de forma mais completa e significativa – isto, claro, quando o filme me propicia isto.

 

Foi o que aconteceu neste dia. Tive algumas ressalvas quanto às motivações do personagem, o que a primeira vista desqualificou parte do filme. Dei 3 estrelas (esta é a forma que classifico os filmes... de 1 a 5).

 

Após uma longa conversa sobre as passagens da trama e ouvir o ponto de vista do Tiago, mudei minha opinião. Compreendi a idéia inicial do roteiro como algo plausível e satisfatório.

 

Valeu brother!

 

4 estrelas para o filme. :)

 

 

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes.

 

 

 

 

 

*Todo ano – no mês de Novembro – a Rede Cinemark promove o Dia do Cinema Nacional, apresentando os filmes brasileiros que foram exibidos ao longo do ano. O baixo custo (R$2,00 o ingresso) atrai as mais diversas pessoas, dando grande visibilidade ao nosso Cinema.

DESCOBRINDO UM GRANDE FILME

 

São 00h32 e eu acabei de assistir a uma pequena obra prima.

 

A VIDA DE DAVID GALE passou sem alardes pelos cinemas em 2003 e foi lançado em DVD há um bom tempo.

 

Acredito que já tenha, até mesmo, passado na TV – pelo menos na paga.

 

Com uma história absolutamente envolvente embalada por um roteiro muito bem escrito, Alan Parker dirigiu com talento a trajetória de um homem que, no corredor da morte, resolve contar sua versão dos fatos a uma jovem jornalista, que passa da descrença sobre sua inocência a uma incansável corrida contra o tempo na tentativa de evitar sua execução.

 

Confesso que nunca havia me interessado em assistir a este filme. A sinopse simplista e os cartazes de divulgação me levaram a crer que tratava-se de um filme de pouca qualidade, melodramático demais.

 

Após ouvir alguns amigos dizendo ter visto o filme e gostado muito, resolvi procura-lo na locadora.

 

Sinto-me envergonhado por não tê-lo assistido no cinema.  :( 

 

O filme é praticamente perfeito. Trilha sonora incisiva, edição ágil e criativa, e a mais que convincente interpretação do elenco, liderado por Kevin Spacey, Kate Winslet e Laura Linney, dão real dimensão a este projeto, fazendo-o figurar entre os melhores realizados em solo americano nos últimos tempos.

 

Assim como eu, descubram este filme! Vocês não sabem como é boa esta sensação.  ;)

 

 

 

 

Abraços a todos... e ótimos filmes.

 

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felipe MACHADO
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