
Não me lembro de ter assistido a algum filme vindo da Colômbia antes deste. Mas mal posso esperar para assistir ao próximo.
Na verdade, esta não é uma produção estritamente colombiana. Parte dos financiamentos vieram dos EUA e o seu idealizador é americano.
Mesmo assim, é um filme latino em sua essência.
O roteirista e diretor Joshua Marston cresceu no Queens – NY – e conviveu durante toda a adolescência com os imigrantes colombianos que dominam aquela região. Daí nasceu o desejo de conhecer a fundo este país sul-americano.
Bom... vamos à história: Imagine uma pessoa engolir uma média de 40 papelotes de cocaína e embarcar com documentação falsa aos Estados Unidos da América, alegando turismo. Lidando com pessoas extremamente perigosas e correndo o risco de algum destes envelopes estourar, causando a morte de seu portador. Esta pessoa é chamada de Mula. E esta prática é mais comum do que se pode imaginar. Normalmente envolve jovens de baixíssima renda em busca de dinheiro e oportunidades.
Maria se torna em uma dessas pessoas – em uma interpretação doce e carismática da bela Catalina Sandino Moreno – e o faz levando em seu ventre não somente drogas, mas um bebê em estágio inicial de gestação.
Com um roteiro honesto, consciente e muito bem escrito, MARIA CHEIA DE GRAÇA é um olhar fiel e devastador sobre o universo da classe pobre de uma pequena cidade colombiana – que se repete por praticamente todo o país – e a assustadora proximidade de seus moradores com a realidade do tráfico de entorpecentes.
Quando chegou aos cinemas, em 2004, o filme chamou muita atenção em Festivais, principalmente pela força de sua protagonista. Dando à Catalina diversos prêmios de interpretação feminina ao redor do Mundo e tornando a jovem atriz uma celebridade em solo americano.
Além disso, gerou controvérsias na Igreja Católica devido à ironia de seu título, mas que logo foram esquecidas.
Definitivamente este filme figura entre os melhores que assisti este ano e deve ser visto pela sua importância.
Abraços a todos... e ótimos filmes.
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