Pela primeira vez abro espaço aqui neste site para falar de algo que não seja diretamente relacionado a Cinema.
Ontem fui com a Raquel ao Credicard Hall assistir ao espetáculo do JOTA QUEST. Foi sensacional!!
Os caras são realmente muito bons.
Mas o que se tornou um programa e tanto, poderia ter virado uma furada, afinal saímos um pouco tarde de casa (21h) e o show começava às 22h. Pegamos um trânsito enorme nas imediações da Casa de Shows e os estacionamentos estavam lotados, motivo pelo qual paramos o carro centenas de metros da entrada.
Felizmente a apresentação atrasou e conseguimos chegar a tempo.
Quem já foi a um show sabe a emoção de se assistir a uma apresentação ao vivo. É indescritível. O poder das caixas acústicas é tanto que você sente a batida dentro do peito. Sem falar no envolvimento da platéia. A galera gritando é de arrepiar.
Mesmo falando de música, vou poder tocar no assunto Cinema. ;)
No fundo do palco havia quatro painéis eletrônicos. Um técnico e seu laptop reproduzia neste espaço diversas imagens interessantes. Foram nuvens, fogo, luzes, formas geométricas...
Em determinado momento, o Rogério Flausino (vocal da banda – acho que vocês sabem, né! rs) pegou uma mini DV e começou a filmar a platéia. Depois a banda. Por fim a si mesmo. Tudo era projetado nos tais painéis eletrônicos em uma fotografia estourada e ultra luminosa em preto e branco – meio Sin City. Praticamente um documentário. Ótimo!!
Se tiverem a oportunidade de assistir ao show desta banda mineira, vão!
Ahhhh... a Raquel que foi comigo é minha namorada. Estamos juntos há muuuito tempo... ela é uma graça! Bjos Kel!
Um professor me disse uma vez que obras de arte devem ser absorvidas, não apenas observadas.
Para que se possa compreender por completo o que os gênios da arte expressam em seus trabalhos é necessário paciência. Paciência esta que perdemos ao longo dos tempos.
Somente pessoas muito ligadas à arte, freqüentam exposições atualmente e se dão ao direito de passar 30, 40 minutos – talvez mais – em frente a uma pintura observando cada nuance de pincel, cada tom de cor e intensidade de tinta.
Definitivamente, eu não sou uma destas pessoas.
No entanto, há alguns dias eu tive uma experiência muito parecida com esta. Apreciei, sem esforços, um trabalho encantador... belo.
A diferença foi que ao invés de pincéis e tintas, este artista utilizou câmeras e texto: AMOR À FLOR DA PELE, uma obra prima dirigida pelo Chinês Wong Kar Wai.
O filme conta a história de amor crescente entre um homem e uma mulher após descobrirem que são traídos por seus cônjuges.
A simplicidade da história esconde uma complexidade narrativa imensa, lidando com momentos íntimos com extrema delicadeza.
A comparação com telas não foi em vão, basta observar atentamente as cenas. Luzes e sombras, cores contrastantes e enquadramentos coreografados dão a impressão de se assistir a uma pintura viva.
O filme toma uma dimensão psicológica absolutamente fantástica quando Kar Wai opta por sugerir à explicitar o sentimento dos protagonistas, brilhantemente interpretados por Maggie Cheung e Tony Leung.
Apresentando seqüências cadenciadas – ao som da belíssima Yumeji´s Theme –, o diretor deixa claro que não tem pressa em contar a sua história. E quer saber, ele está certo.
Momentos como este, são únicos e merecem que nos desliguemos totalmente da realidade para apreciá-los e absorvê-los por completo.
Abraços a todos... e ótimos filmes.
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